Cânones da crítica internacional UFES · Departamento de Letras · T01 · 2026/2

00Edição zero · agosto a dezembro de 2026

Manifesto · edição zero

O que pode a crítica?

A pergunta da oferta vira programa de revista: não listar escolas, e sim ensaiar gestos. Cada texto aqui é instrumento de leitura e, ao mesmo tempo, objeto histórico — candidato, também ele, a cânone.

Há uma crítica que descreve. Há uma que interpreta. Há uma que historiciza o próprio gosto que a autoriza. Há uma que avalia e não disfarça o juízo. Há uma que desloca o objeto, uma que lê contra o texto, uma que volta o olhar sobre o método, uma que disputa valor no mercado das reputações. A disciplina chama a isso gestos. A revista pede que eles apareçam com byline.

Canonizar é um verbete curto para uma máquina longa: escolas, revistas, prêmios, programas, traduções, silêncios. Estudar Homero, Kafka ou Spivak sem estudar essa máquina é repetir o cânone como clima. O princípio desta redação é o outro: estudar a obra e o mecanismo que a fez obra maior.

Por isso a dupla canonização. Primeiro, o modo como certas obras se tornam incontornáveis. Depois, o modo como certas intervenções — Auerbach, Barthes, Iser, Bourdieu, Spivak e as que a turma ainda vai nomear — também se tornam cânone, e passam a ser lidas como se sempre tivessem sido óbvias.

A Revista Experimental de Crítica Literária ainda está em edição zero. Isso não é falta de marketing. É o primeiro exercício: fazer o veículo existir, publicar o gesto, disputar o cânone em público. Quem entra na redação escreve. Quem monitora uma região do mundo traz a prova de que a crítica, hoje, se publica em mais de um centro.

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