Cânones da crítica internacional UFES · Departamento de Letras · T01 · 2026/2

00Edição zero · agosto a dezembro de 2026

Prêmios · Língua portuguesa

Prêmio Oceanos 2026

Prêmio transnacional para livros escritos em português, o Oceanos anunciou no fim de agosto 26 semifinalistas de prosa, escolhidos entre 1.808 inscritos. Os cinco finalistas da categoria ainda não foram divulgados.

Semifinalistas de prosa anunciados · finalistas ainda não divulgados · lista oficial

O Oceanos premia livros escritos em português e publicados em qualquer país; nasceu como Prêmio Portugal Telecom e ganhou o nome atual em 2015, quando o Itaú assumiu o financiamento, segundo a Associação Oceanos. A categoria de prosa reúne romance, conto, crônica e dramaturgia, e o júri que fez a primeira triagem de 2026 juntou críticos e escritores angolanos, brasileiros, moçambicanos, portugueses e um guineense. A edição recebeu 3.086 inscrições, 1.808 delas de prosa, e chegou a 26 semifinalistas na categoria: 12 autores brasileiros, 10 portugueses, 3 moçambicanos e 1 angolano, publicados por 15 selos. A Companhia das Letras responde por oito desses títulos (sete pelo braço brasileiro, um pelo português), e um júri intermediário deve escolher até 12 de outubro os cinco finalistas de cada categoria, segundo o Estado de Minas. O Jabuti 2026, que divulgou seus semifinalistas em 29 de setembro, repete quatro destes títulos entre os dez de Romance Literário: Corsária, Dança de enganos, Meridiana e Uma delicada coleção de ausências.

Semifinalistas de prosa

Ana Margarida de Carvalho, A chuva que lança a areia do Saara

Companhia das Letras (Portugal).

Firmino é levado numa carroça, prisioneiro, para trabalhos forçados numa pedreira escondida num Portugal remoto, onde homens tentam tirar um anjo da pedra a mando de um pároco ávido de milagres, de um artista cego e de um burlão abastado. Segundo a editora, o elenco inclui uma mulher sem nariz, um lobo que nunca existiu, um apicultor por quem todos se apaixonam e duas gêmeas siamesas, sob a poeira do Saara que turva a vista sempre que algo inesperado vai acontecer. A Companhia das Letras portuguesa apresenta o livro como o regresso da autora à ficção longa. É o único dos oito semifinalistas com selo Companhia das Letras editado fora do Brasil. Fonte

Moacir Fio, Aranha movediça

Moinhos, 2025.

Segundo a Moinhos, o romance parte da lenda de Jota do Lixo: um podcast investigativo sai atrás dessa história, encontra uma teia contraditória de personagens e chega a Cococi, vilarejo abandonado que esconde horrores de um passado colonial. A editora filia o autor, cearense e pesquisador do gótico na América Latina, a uma nova leva do horror latino-americano e destaca a passagem da oralidade a uma prosa poética inclinada ao grotesco. O livro foi semifinalista do Prêmio ABERST e finalista do Prêmio Odisseia de Literatura Fantástica, ambos na categoria de narrativa longa de horror. No Jabuti 2026 ele aparece entre os semifinalistas de Romance de Entretenimento, enquanto o Oceanos o coloca na mesma lista que a prosa dita literária. Fonte

Julia Codo, Caderno de ossos

Companhia das Letras, 2025.

Depois de anos na Inglaterra e em meio a um casamento em crise, a narradora volta a São Paulo, instala-se na casa do avô, que sofre de uma doença degenerativa, e encontra um caderno escrito pela tia Eva. Segundo a Companhia das Letras, a trama familiar se cruza com a dos desaparecidos da ditadura militar e com a vala clandestina de Perus, descoberta em 1990. A editora chama o livro de “romance-escavação”. Com Dança de enganos, de Milton Hatoum, forma o par de semifinalistas que volta à ditadura pela via do drama familiar. Fonte

Marilene Felinto, Corsária

Fósforo e Ubu.

Uma mulher deixa um amor e uma vida confortável em Houston e volta ao interior do Nordeste em busca da reparação moral e financeira a que sua família teria direito. Segundo a Ubu, coeditora do livro, a protagonista recorre a arquivos, testes de hereditariedade e histórias familiares contadas pela metade, e enfrenta interesses escusos numa região marcada pela violência contra trabalhadores e pela disputa de terra. No posfácio citado pela editora, Luciana da Cruz Brito enumera luta de classes, racismo, imigração, ancestralidade e reparação entre os temas do romance. É um dos quatro títulos que também estão entre os semifinalistas de Romance Literário do Jabuti 2026. Fonte

Milton Hatoum, Dança de enganos

Companhia das Letras, 2025.

Último volume da trilogia O Lugar Mais Sombrio, depois de A noite da espera e Pontos de fuga. Segundo a Companhia das Letras, quem narra agora é Lina, mãe de Martim, protagonista dos dois livros anteriores: no fim dos anos 1960, com a distância em relação ao filho crescendo sob a ditadura, ela decide escrever e revisita a própria vida e a das pessoas ao redor. A editora aponta ecos de Conrad e de Juan Carlos Onetti. O livro também está entre os semifinalistas de Romance Literário do Jabuti 2026. Fonte

Micheliny Verunschk, Depois do trovão

Companhia das Letras, 2025.

O romance se passa durante a Guerra dos Bárbaros, nome dado às expedições que a Coroa portuguesa financiou nos séculos XVII e XVIII para exterminar os povos do interior do Nordeste. Auati, filho de uma indígena com um frei jesuíta, é levado pelo pai a uma dessas tropas e obrigado a se reinventar como Joaquim Sertão. A Companhia das Letras destaca a linguagem, que mistura português castiço, mirandês, tupi-guarani, nheengatu paulista e línguas tapuias, e situa a autora na linhagem de Guimarães Rosa e Maria Valéria Rezende. Verunschk, que segundo a editora já venceu o Oceanos, volta à lista com um romance sobre a violência colonial portuguesa, tema que ganha outra espessura num prêmio que reúne leitores de Brasil, Portugal e países africanos. Fonte

Ana Teresa Pereira, Have Ya Got Any Castles, Baby

Relógio D’Água, 2025.

A Relógio D’Água descreve o livro como “uma novela inacabada” sobre velhas canções, velhos livros, filmes a preto e branco, revistas pulp, taxi dancers e pessoas que desaparecem como se nunca tivessem existido. A autora venceu o Oceanos em 2017 com Karen, e a editora lembra que ela também escreve contos em inglês, publicados em antologias e revistas do Reino Unido, dos Estados Unidos e do Canadá. O título em inglês, numa lista dedicada à literatura em português, remete ao repertório anglo-americano que a própria editora enumera. Fonte

Bruna Dantas Lobato, Horas azuis

Companhia das Letras, 2025.

Uma jovem brasileira vai estudar literatura numa universidade em Vermont e conversa todos os dias por Skype com a mãe, que ficou sozinha no Rio Grande do Norte. A Companhia das Letras apresenta o livro como o romance de estreia da autora, nascida em Natal, radicada nos Estados Unidos desde 2011 e tradutora vencedora do National Book Award. A ficha técnica da editora registra um título original em inglês, Two Lives, dado que interessa a quem discute em que língua um livro precisa nascer para disputar um prêmio de literatura em português. O romance também está entre os semifinalistas de Escritor Estreante (Romance) do Jabuti 2026. Fonte

H. G. Cancela, Matilde

Relógio D’Água, 2026.

Romance de autor português, segundo a lista oficial. A Relógio D’Água o apresenta como o novo romance de Cancela, vencedor do Grande Prémio de Romance e Novela APE 2017, e reproduz na página um excerto em vez de um resumo. Sem sinopse da editora localizada até o fechamento. Fonte

Eliana Alves Cruz, Meridiana

Companhia das Letras, 2025.

Sair da favela e chegar à classe média era o sonho de Aurora e Ernesto, e o romance acompanha essa ascensão social de uma família negra. Segundo a Companhia das Letras, cada personagem (a mãe, o pai, os filhos e a filha) conta a própria história em primeira pessoa. Em texto reproduzido pela editora, Bianca Santana fala em “três gerações de um Brasil negro e desigual” escritas “em seis vozes”. O livro também está entre os semifinalistas de Romance Literário do Jabuti 2026. Fonte

jjLeandro, Mobília humana

Litteralux.

Livro de contos de autor brasileiro, publicado pela Litteralux, segundo a lista oficial. É um dos dois volumes de contos entre os semifinalistas de prosa, e a editora coloca outro título na lista, Niemand, de Andre Klojda. Sem sinopse da editora localizada até o fechamento. Fonte

Ricardo Araújo Pereira, Mundo, pára quieto

Tinta-da-China.

Livro de crônicas de autor português, publicado pela Tinta-da-China, segundo a lista oficial. É um dos dois livros de crônicas entre os semifinalistas de prosa, ao lado de Recordações e andorinhas, de J. Rentes de Carvalho. Sem sinopse da editora localizada até o fechamento. Fonte

Rui Nunes, Não é ainda o pânico

Relógio D’Água, 2025.

Romance de autor português, segundo a lista oficial. A Relógio D’Água reproduz um excerto do livro e descreve Nunes como autor de uma obra “em ruptura com as tradições narrativas da sua geração”, vencedor do Grande Prémio de Romance e Novela APE com Grito e do Prémio da Crítica com Rostos. Sem sinopse da editora localizada até o fechamento. Fonte

João Paulo Borges Coelho, Narração nocturna

Editorial Fundza.

Romance de autor moçambicano, publicado pela Editorial Fundza, segundo a lista oficial. Sem sinopse da editora localizada até o fechamento. Fonte

Andre Klojda, Niemand

Litteralux.

Romance de autor brasileiro, publicado pela Litteralux, segundo a lista oficial. Sem sinopse da editora localizada até o fechamento. Fonte

João Henriques BarretoLima, O almoxarife almaxerifado

Inmensa Editorial (Portugal), 2025.

Primeiro romance de Carlos Antônio Leite Brandão, professor da UFMG que assina com o pseudônimo João Henriques BarretoLima; o título completo é O almoxarife almaxerifado & seu glossário viralatas. Segundo a Inmensa, o livro tem quase 700 páginas, mistura ficção, ensaio, autobiografia, ciência e fotografia e foi lançado pelo braço português da editora, com distribuição restrita ao mercado europeu. O prefácio é de Evando Nascimento, nome que a Associação Oceanos lista no júri de prosa da primeira etapa desta edição. É o caso de um autor brasileiro que chega ao prêmio por uma edição feita em Portugal. Fonte

Judite Canha Fernandes, O mel sem abelhas

Gradiva, 2025.

Ficção histórica sobre a cultura da cana-de-açúcar na Madeira do século XVI: Marta chega ao Funchal vinda de Angola para trabalhar como escravizada nos canaviais. Segundo a Gradiva, o título vem da expressão “juncos que produzem mel sem abelhas”, usada para designar a cana. O livro venceu o Prémio Literário Edmundo Bettencourt 2024, cujo júri destacou a narrativa feita da perspectiva de uma mulher escravizada e a relação onírica entre Marta e uma jovem narradora que se diz sua descendente. Interessa ver a escravatura portuguesa narrada por uma autora portuguesa num prêmio que reúne júris dos dois lados do Atlântico. Fonte

Sara Duarte Brandão, Quem tem medo dos santos da casa

Dom Quixote.

Romance de autora portuguesa, publicado pela Dom Quixote, segundo a lista oficial. Sem sinopse da editora localizada até o fechamento. Fonte

J. Rentes de Carvalho, Recordações e andorinhas

Quetzal.

Livro de crônicas de autor português, publicado pela Quetzal, segundo a lista oficial. Sem sinopse da editora localizada até o fechamento. Fonte

António Cabrita, Se não me quiseres amar agora no Inverno, quando?

The Poets and Dragons Society.

Romance de autor português, publicado pela The Poets and Dragons Society, segundo a lista oficial. Sem sinopse da editora localizada até o fechamento. Fonte

Énia Lipanga, Sob a capulana do destino e outros contos

Nandyala.

Livro de contos de autora moçambicana, publicado pela Nandyala, segundo a lista oficial. Sem sinopse da editora localizada até o fechamento. Fonte

Noemi Jaffe, Te dou minha palavra

Companhia das Letras, 2025.

Segundo a Companhia das Letras, Noemi Jaffe faz da própria infância e adolescência a matéria do romance: filha de sobreviventes judeus da Shoá, ela cresce entre o húngaro, o iugoslavo, o ídiche e o português. A formação passa pelas palavras dos outros, de uma antologia de poesia a um disco de Chico Buarque e aos livros de Hermann Hesse. A editora resume a pergunta do livro como “do que é feita uma pessoa?”. Para quem estuda gênero literário, é um romance que a própria editora descreve como construído sobre memória autobiográfica. Fonte

Miguel d’Alte, Todas as famílias felizes

Suma de Letras.

Na noite de 5 de novembro de 2012, no Porto, Clara Paixão, de 12 anos, desaparece no caminho entre a escola e a casa, e dois inspetores da Polícia Judiciária assumem a investigação. Em paralelo, segundo a Suma de Letras, o jornalista Ademar Leal, isolado na Ilha do Poço Negro, resiste a escrever um livro sobre os crimes do verão de 1985 até receber um telefonema que o arrasta para o caso. É um romance policial e, ao lado do horror de Aranha movediça, mostra que a triagem de prosa do Oceanos admitiu ficção de gênero. Fonte

José Eduardo Agualusa, Tudo sobre Deus

Quetzal.

Romance do único autor angolano entre os semifinalistas de prosa, publicado pela Quetzal, segundo a lista oficial. Sem sinopse da editora localizada até o fechamento. Fonte

Lucílio Manjate, Última memória entrevista com Sthoe

Alcance Editores.

Romance de autor moçambicano, publicado pela Alcance Editores, segundo a lista oficial. Sem sinopse da editora localizada até o fechamento. Fonte

Aline Bei, Uma delicada coleção de ausências

Companhia das Letras, 2025.

Três mulheres, neta, avó e bisavó, dividem uma casa humilde de portão laranja em Belva. Laura vive com a avó Margarida, que lê mãos numa feira de antiguidades, até a chegada da bisavó Filipa, que perdeu o lugar onde morava. Segundo a Companhia das Letras, o romance retoma a maternidade e a infância de O peso do pássaro morto e Pequena coreografia do adeus e observa o trabalho de cuidado e as violências sofridas pelas mulheres. O livro também está entre os semifinalistas de Romance Literário do Jabuti 2026. Fonte