Cânones da crítica internacional UFES · Departamento de Letras · T01 · 2026/2

00Edição zero · agosto a dezembro de 2026

Prêmios · Canadá

Giller Prize 2026

O principal prêmio de ficção do Canadá anunciou em 5 de outubro os cinco finalistas de 2026, escolhidos por um júri de livreiros independentes. O vencedor será conhecido em 16 de novembro.

Shortlist anunciada em 05/10 · vencedor em 16/11 · lista oficial

Criado em 1994 por Jack Rabinovitch e batizado em homenagem à mulher dele, a jornalista literária Doris Giller, o prêmio paga 100 mil dólares canadenses ao melhor romance, romance gráfico ou livro de contos canadense publicado em inglês, e 10 mil a cada finalista. Na 33ª edição, o júri foi formado por nove livreiros independentes de várias regiões do país, que partiram de mais de 140 livros inscritos, divulgaram uma longlist de 14 títulos em 8 de setembro e a reduziram a cinco em 5 de outubro. Segundo o comunicado oficial, os finalistas representam cinco selos editoriais e quatro províncias, e três dos livros entraram nas listas nacionais de mais vendidos. Duas finalistas são indígenas, a métis Tara Gereaux e a cree Michelle Good, e as duas escrevem sobre a violência do Estado canadense contra seus povos; ao lado delas estão dois segundos romances, de Nicholas Herring e Nazanine Hozar, e a estreia de Patmeena Sabit. A cerimônia acontece em Toronto, com apresentação de Rick Mercer e transmissão pela CBC.

Finalistas

Tara Gereaux, Wild People Quiet

Scribner Canada, 2026.

Passado em Saskatchewan em 1946, o romance acompanha Florence Banks, mulher métis que se faz passar por branca em Torduvalle, cidade de maioria branca, até descobrir que o governo planeja expulsar os métis de suas terras. Segundo o júri, Florence precisa escolher entre a comunidade de onde veio e a vida que construiu para si, num livro sobre trauma colonial, aceitação de si e o valor da comunidade. Os jurados destacaram a “intensidade quieta” da narrativa e o convite para que o leitor pense na história da própria família e nas partes de si que prefere esconder. Gereaux é cidadã da Métis Nation-Saskatchewan, mora em Regina e publicou antes o romance Saltus, finalista do ReLit Novel Award de 2022, informa a biografia divulgada pelo prêmio. Fonte

Michelle Good, Eliza Sunshine

Random House Canada.

Crônica de três gerações de mulheres cree, o livro começa com a volta de Eliza para casa depois de anos num internato para crianças indígenas. A avó, Swan, conta histórias das matriarcas que a criaram e das violências sofridas pelos antepassados; décadas depois, Eliza narra a própria vida à filha, Ella, que abraça a identidade indígena enquanto a mãe tenta protegê-la da discriminação. O júri afirma que o romance foi escrito para evocar a tradição da narrativa oral e que se apoia na história familiar da autora. Good pertence à nação Red Pheasant Cree, passou 14 anos como advogada de sobreviventes dos internatos e estreou com Five Little Indians, vencedor do Governor General’s Literary Award de ficção e indicado ao próprio Giller. Fonte

Nicholas Herring, Your Breath in Charcoal

Goose Lane Editions.

O protagonista, Knickle, é um “homem comum” da costa leste canadense que viaja de carro da Ilha do Príncipe Eduardo até Toronto, cidade que o júri grafa entre aspas como “Tah-ron-ah”. Os jurados descrevem o livro como uma história cômica e inconfundivelmente marítima, cheia de referências à cultura pop, alusões literárias e tiradas mordazes, e o leem como estudo de um jovem que aprende a viver, numa odisseia da classe trabalhadora. É o segundo romance de Herring, cuja estreia, Some Hellish, venceu o Atwood Gibson Writers’ Trust Fiction Prize. O autor mora em Murray Harbour, na mesma ilha, onde trabalha como pescador e carpinteiro. Fonte

Nazanine Hozar, The Small Ones

Knopf Canada.

O romance dá voz a um grupo de crianças manipuladas psicológica e espiritualmente para acreditar que seus sacrifícios servem a um propósito maior, numa história marcada por guerra, doutrinação e ciclos de violência. O júri destacou a prosa lírica e “enganosamente simples” e a estrutura em três partes, que leva o leitor a perguntar menos o que vai acontecer às crianças e mais como elas chegaram àquela situação. Para os jurados, a amizade, a imaginação e as famílias que as crianças formam entre si funcionam como contrapeso a um mundo que não as protegeu. Nascida em Teerã e radicada em Vancouver, Hozar publicou antes Aria, e este é seu segundo romance. Fonte

Patmeena Sabit, Good People

Crown, 2026.

Romance de estreia sobre os Sharaf, família de refugiados que ascende até um condomínio fechado e abastado de Fairfax, na Virgínia. Os Sharaf nunca contam a própria história: quem narra é um elenco rotativo de parentes, vizinhos, amigos e desconhecidos, que especulam sobre as pressões vividas por uma família imigrante. O júri chamou o livro de polifônico e observou que Sabit deixa ao leitor decidir por que o clã atraiu tanta atenção, se por um acidente trágico ou por um crime. A autora nasceu em Cabul poucos anos depois da invasão soviética do Afeganistão, viveu como refugiada no Paquistão, cresceu na Virgínia e mora hoje em Toronto. Fonte