Prêmios · Coreia do Sul
Prêmio Literário Yi Sang 2026 (49ª edição)
O principal prêmio coreano de conto e novela foi para Wi Soo-jung por 눈과 돌멩이 (Neve e pedrinhas). Pela primeira vez desde 1977, todas as premiadas, a vencedora e as cinco autoras dos prêmios de excelência, são mulheres.
Premiadas anunciadas em 27/01 · edição encerrada · lista oficial
O Prêmio Literário Yi Sang foi criado em 1977 pela editora Munhak Sasang, em homenagem ao escritor modernista Yi Sang (1910-1937), e premia contos e novelas publicados no ano; desde 2024 é organizado pela Dasan Books, e a edição de 2026 foi a segunda sob a nova casa. Não há shortlist pública: o júri leu cerca de 200 textos saídos em revistas literárias entre janeiro e setembro de 2025, levou 17 à fase final e escolheu um grande prêmio, de 50 milhões de wons, e cinco prêmios de excelência, de 5 milhões cada. Os premiados e os demais textos da fase final saem num volume anual. Entre os vencedores anteriores, o Korea Herald cita Park Wan-suh, Yi Mun-yol e Han Kang. O Hankyoreh registrou que, em 2026, todas as premiadas são mulheres, fato inédito na história do prêmio, 44 anos depois de uma edição, a sexta (1982), em que só homens foram premiados.
Finalistas
Wi Soo-jung, 눈과 돌멩이 (Neve e pedrinhas)
Daesan Munhwa, outono de 2025; no volume do prêmio pela Dasan Books, 2026.
[Vencedor]
Três amigos se conheceram num cineclube universitário; quando o conto começa, Su-jin, que tratava um câncer, morreu, e Yu-mi e Jae-han levam suas cinzas a uma floresta de cedros em Togakushi, no Japão, sem entender por que ela quis isso nem por que escolheu morrer. Sob a neve, a viagem de luto passa por Koreeda, Kiyoshi Kurosawa e Bong Joon-ho, e o Hankyoreh aponta a insinuação de que Su-jin talvez tenha sido perseguidora de alguém. O crítico Kim Hyung-joong, do júri, disse que o texto não se reduz a personagem nem enredo e destacou “a ambiguidade da vida, delicadamente escondida numa paisagem coberta de neve”. Wi, que estreou em 2017, disse ao Korea Herald que abriu mão do fechamento convencional do conto e aceitou o risco da crítica. Fonte
Kim Hye-jin, 관종들 (Os que querem atenção)
Revista literária, 2025; depois em 달걀의 온기 (2026), quarto livro de contos da autora.
Prêmio de excelência. O conto abre a coletânea 달걀의 온기 e acompanha um casal que, mesmo sob olhares hostis, não consegue ignorar crianças largadas na rua no frio. Para a agência News1, a frase “o mínimo que eles podem fazer” resume a ética da ficção de Kim, em que a intervenção pequena e concreta vem antes da grande solidariedade. Kim, conhecida pelo romance 딸에 대하여, estreou em 2012 e já recebeu, entre outros, o Daesan e o Kim Yu-jeong. Fonte
Seong Hye-ryeong, 대부호 (O magnata)
Revista literária, 2025; depois em 대부호, Munhakdongne, 2026.
Prêmio de excelência. Mãe e filha, que depois de perder parentes passaram a ver o mundo de modos opostos, voltam a dividir a casa: o pai, caminhoneiro, morreu dormindo num posto de estrada, e o irmão morreu trancado numa câmara frigorífica onde fazia bico. A agência Yonhap lê o conto, que dá título ao segundo livro da autora, como o mais próximo do “romance social” na obra de Seong, com o rancor e o conflito político e ideológico dentro da família. A crítica associa sua escrita ao suspense; Seong disse à Yonhap que só procurou a palavra depois de lê-la no parecer do júri que a revelou. Fonte
Lee Min-jin, 겨울의 윤리 (A ética do inverno)
Revista literária, 2025.
Prêmio de excelência. O conto está entre os 17 textos da fase final e no volume anual da Dasan Books. A cobertura que a Redação consultou (Hankyoreh, Marie Claire Korea, Korea Herald) lista o título e a autora, sem resumir o enredo nem trazer comentário do júri. Fonte
Jeong Yi-hyun, 실패담 크루 (A turma das histórias de fracasso)
Revista literária, 2025; depois em 노 피플 존 (No People Zone), 2025.
Prêmio de excelência. Um advogado de trinta e poucos anos, sem diploma de prestígio nem padrinhos, preso a um escritório pequeno, entra num grupo em que médicos e empresários contam seus fracassos e falha toda vez que tenta apresentar um fracasso à altura. O Kyunghyang Shinmun lê o conto, que abre o primeiro livro de contos de Jeong em nove anos, como retrato de uma sociedade de classes cristalizada, em que até o fracasso vira exibição. Na nota do livro, a autora disse querer que sua ficção funcione como fio dental, para tirar o que está escondido nas frestas. Fonte
Ham Yun-i, 우리의 적들이 산을 오를 때 (Quando nossos inimigos sobem a montanha)
Revista literária, 2025.
Prêmio de excelência. O conto está entre os 17 textos da fase final e no volume anual da Dasan Books. A cobertura que a Redação consultou lista o título e a autora, sem resumir o enredo nem trazer comentário do júri. Fonte