Cânones da crítica internacional UFES · Departamento de Letras · T01 · 2026/2

00Edição zero · agosto a dezembro de 2026

Prêmios · Espanha

Premio Aena de Narrativa 2026

Na primeira edição do prêmio criado pela empresa espanhola de aeroportos, de um milhão de euros, Samanta Schweblin venceu com um livro de contos. A lista final teve cinco títulos de autores da Argentina, do Chile, da Colômbia e da Espanha.

Finalistas anunciados em 18/03 · vencedora anunciada em 08/04 · lista oficial

O Premio Aena de Narrativa Hispanoamericana foi criado em 2026 pela Aena, empresa que administra 46 aeroportos na Espanha e mais de 30 nas Américas, com o apoio da Fundación Gabo e da Cátedra Vargas Llosa. A obra vencedora recebe um milhão de euros, segundo a Fundación Gabo a maior soma dada hoje a um livro em espanhol, e cada um dos outros quatro finalistas, 30 mil euros. Concorrem obras narrativas escritas em espanhol, ou nas línguas cooficiais da Espanha e traduzidas ao castelhano, publicadas no ano anterior, e o regulamento exclui poesia, teatro e ensaio puro. Uma equipe de dez especialistas preparou a pré-seleção, e o júri foi presidido por Rosa Montero, com Pilar Adón, Luis Alberto de Cuenca, Jorge Fernández Díaz, Leila Guerriero, José Carlos Llop e Elmer Mendoza; Montero citou o Booker e o Goncourt como referências e disse que o júri muda a cada edição. Os finalistas foram anunciados em 18 de março, na livraria La Mistral, em Madri, e a vencedora, em 8 de abril, numa gala em Barcelona. Como o prêmio cobre a narrativa em geral, a lista inclui um livro de contos, que venceu, e uma crônica.

Finalistas

Samanta Schweblin, El buen mal

Seix Barral, 2025. Tradução no Brasil: O bom mal (Fósforo).

[Vencedor]

São seis contos cujos personagens, segundo a Fundación Gabo, ficam presos no momento em que algo estranho irrompe em suas vidas e as transforma. Ao receber o prêmio, a escritora argentina defendeu o conto como gênero e disse se perguntar se o prêmio e o júri tinham consciência “da declaração de princípios que significa começar um prêmio com um livro como este”, segundo o El Mundo. A RTVE lembra que Schweblin foi três vezes finalista do International Booker. No Brasil o livro saiu pela Fósforo, com tradução de Livia Deorsola, e a Folha de S.Paulo destacou que a autora é reconhecida sobretudo pelos contos. Fonte

Héctor Abad Faciolince, Ahora y en la hora

Alfaguara, 2025.

Em 2023, depois de uma cirurgia de coração aberto, o escritor colombiano viajou a uma feira do livro na Ucrânia e estava numa pizzaria de Kramatorsk quando um míssil russo matou 13 pessoas e feriu mais de sessenta. Entre os mortos estava a escritora ucraniana Victoria Amelina, que, segundo a Fundación Gabo, tinha trocado de lugar com ele à mesa. A RTVE descreve o livro como uma crônica dos fatos e uma reflexão sobre a violência da guerra, a culpa de quem sobrevive e o impulso de contar. Fonte

Nona Fernández, Marciano

Random House, 2025.

A narradora visita na prisão Mauricio Hernández Norambuena, integrante da Frente Patriótica Manuel Rodríguez que participou do atentado contra Augusto Pinochet em 1986, e cruza essas conversas com memória e imaginação para entender a história recente do Chile. Segundo a RTVE, o livro acompanha a trajetória do militante da resistência à ditadura até as ilusões perdidas, prisões e fugas já na democracia. A emissora lembra que a Feira do Livro de Guadalajara chamou Fernández, atriz e escritora nascida em Santiago em 1971, de “um dos segredos mais bem guardados da literatura ibero-americana”. Fonte

Marcos Giralt Torrente, Los ilusionistas

Anagrama, 2025.

O livro parte do verão de 1931, quando os avós maternos do autor se conheceram na costa da Galícia, e acompanha os filhos do casal, entre eles a mãe do escritor. A RTVE descreve uma mistura de romance epistolar, perfil biográfico e relato de formação, e chama o resultado de “autópsia familiar” desinibida. Segundo a emissora, os personagens compartilham certa incapacidade de se submeter à realidade e a tendência a construir uma ficção mais habitável. Fonte

Enrique Vila-Matas, Canon de cámara oscura

Seix Barral, 2025.

O protagonista reúne 71 livros num quarto escuro de sua casa para montar um cânone próprio, afastado dos gostos do momento. Segundo a Fundación Gabo, ele escolhe um volume ao acaso a cada manhã e extrai um fragmento, e o que lê acaba se infiltrando em sua vida e em sua escrita. Para uma revista sobre cânones, é o finalista que faz da formação de um cânone pessoal a matéria do próprio romance. Fonte