Cânones da crítica internacional UFES · Departamento de Letras · T01 · 2026/2

00Edição zero · agosto a dezembro de 2026

Prêmios · Estados Unidos

National Book Award 2026: ficção

O principal prêmio literário americano divulgou em 17 de setembro a longlist de ficção, com dez livros escolhidos entre 451 inscritos. Os finalistas saem em 6 de outubro e o vencedor, em 18 de novembro.

Longlist anunciada em 17/09 · finalistas em 06/10 · vencedor em 18/11 · lista oficial

Criado em 1936 pela American Booksellers Association, interrompido durante a Segunda Guerra e retomado em 1950, o National Book Award é hoje conferido pela National Book Foundation a livros de autores americanos publicados nos Estados Unidos, em cinco categorias; desde 2013 cada categoria tem uma longlist de dez títulos. Em ficção, o júri formado por Matt Bell, Caro De Robertis (presidente), Danielle King, Akhil Sharma e Diane Wilson escolheu os dez entre 451 livros inscritos pelas editoras, e o vencedor recebe 10 mil dólares e uma escultura de bronze, contra mil dólares para cada finalista, segundo o Book Riot. O site contou duas estreias na lista e seis autores já distinguidos pela fundação, e a lista inclui dois livros de contos, de Kimberly Blaeser e Louise Erdrich. Em 22 de setembro, o colunista Bret Stephens publicou no New York Times o artigo “The Literary World’s D.E.I. Checklist”, em que atribui à orientação política dos jurados a diversidade dos premiados da última década; a Electric Literature respondeu dois dias depois com uma lista anotada de resenhas dos livros atacados. Os finalistas serão anunciados em 6 de outubro e o vencedor, na 77ª cerimônia, em 18 de novembro.

Longlist de ficção

Hannah Lillith Assadi, Paradiso 17

Knopf, 2026.

Segundo a editora, o romance acompanha Sufien, nascido na Palestina às vésperas da Nakba de 1948 e obrigado a deixar a casa da família; a vida dele passa pelo Kuwait, por uma cidade universitária italiana, por Nova York, onde se apaixona por uma mulher judia, e termina no deserto do Arizona. O livro começa pelo fim, com a frase “como todos os nossos mortos, Sufien ainda fala”, e a apresentação cita o verso de Dante sobre “a flecha que o arco do exílio dispara primeiro”. Na resenha do New York Times reproduzida pela Electric Literature, Zain Khalid escreveu que Assadi “recusa respostas fáceis” e se interessa pelo modo como a história se assenta nas pessoas dia após dia. O Book Riot lembra que a autora esteve entre os “5 Under 35” da National Book Foundation em 2018. Fonte

Kimberly Blaeser, Red Ants

Counterpoint, 2026.

Livro de contos com personagens anishinaabe que levam histórias tradicionais para situações contemporâneas, com concursos de cães, protestos, monstros, mosquitos e software de reconhecimento facial, segundo a descrição da editora. No conto que dá título ao volume, duas meninas de uma reserva indígena aprendem, entre uma cantiga de pular corda e uma prova aplicada na escola, como uma vida pode ser reduzida a números. A editora diz que o livro mistura realismo mágico, humor, terror e ficção especulativa. Michael Welch, do Chicago Review of Books, citado pela Electric Literature, chamou o volume de coletânea de estreia e escreveu que cada conto funciona como uma “galáxia de possibilidades”. Fonte

Edwidge Danticat, Dèy

Knopf, 2026.

A narradora, Magnolia, é uma corretora de imóveis haitiano-americana de Miami que ouve tiros num shopping, se esconde num restaurante e depois não conta o episódio a ninguém. A partir daí ela revê a relação com a filha, Zoë, o casamento quase desfeito, a mãe com problemas mentais e o caso extraconjugal do pai, além das perdas que a família sofre no Haiti, segundo a editora. O título é a palavra do crioulo haitiano para luto. A resenha do New York Times citada pela Electric Literature afirma que cabe ao romancista apresentar as perguntas e “sair da sala”, e que Danticat faz isso com maestria ao tratar de amor e de lar. Fonte

Julián Delgado Lopera, Pretend You’re Dead and I Carry You

Liveright, 2026.

Em Bogotá, a adolescente Valentina cria a si mesma depois que a mãe, Alma, morre afogada, enquanto o pai, Ignacio, passa as tardes deprimido, fumando com perucas loiras e assombrado pela lembrança de um rapaz que amou e traiu. Do passado dele reaparece Mamadora Eléctrica, travesti e rainha da noite queer de Bogotá, que assume o papel de mãe da menina como já fizera com o pai e teme que a autodestruição de Ignacio tenha lançado uma maldição sobre todos, de acordo com a descrição da editora. A Publishers Weekly, em resenha com estrela citada pela Electric Literature, elogiou as frases “marcantes e indeléveis” do autor e o cuidado com os personagens, e chamou o livro de “requintado”. Fonte

Louise Erdrich, Python’s Kiss

Harper, 2026.

Coletânea de contos escritos ao longo de duas décadas, com ilustrações encomendadas a Aza Erdrich Abe, filha da autora. Entre os personagens estão a editora de um boletim tribal, agricultores imigrantes, uma menina que decide passar a vida com uma pedra e uma mulher que entra num além administrado por uma empresa para se vingar do pai, segundo a editora. O Book Riot descreve o livro como uma reunião de histórias humanas e não humanas. Katie Henken Robinson, na Electric Literature, chamou Erdrich de “mestre absoluta da ficção” e destacou as vozes distintas de seus personagens. Fonte

Marlon James, The Disappearers

Riverhead Books, 2026.

Em Kingston, em 1988, oito homens gays que não se conheciam começam a ensaiar uma peça; uma noite, uma multidão os ataca e mata um deles, e o romance acompanha como os sobreviventes lidam com a violência, uns tentando esquecer, outros buscando vingança, segundo a editora. O livro também está na shortlist do Booker Prize deste ano. A resenha de Dwight Garner no New York Times saiu com o título “o romance da década, se não do século”, lembrado pela Electric Literature. O Book Riot o chamou de épico queer e registrou que esgotou logo após o lançamento. Fonte

Valeria Luiselli, Beginning Middle End

Knopf, 2026.

Uma mãe e a filha viajam para a Sicília, perto das ruínas onde a bisavó da menina trabalhou numa escavação arqueológica; o casamento da narradora acabou, a mãe dela está perdendo a memória e a filha entra na adolescência e passa a conduzir a história. Segundo a editora, o livro vira um romance de estrada que abrange quatro gerações de mulheres e mistura mitos, filosofia antiga e história natural a cenas da vida contemporânea. Ofelia Montelongo, na Electric Literature, o descreveu como um romance que “dobra o tempo e a própria escrita” e pergunta como memórias fragmentadas podem ser preservadas em narrativas inventadas. Fonte

Alexander Maksik, Passengers

Europa Editions, 2026.

Ivan, um homem de setenta e poucos anos, propõe à filha Nina, perto dos trinta, uma viagem à Europa para reaproximá-los; no aeroporto de Los Angeles o voo é adiado várias vezes, outros voos são cancelados, a segurança aumenta e os dois começam a suspeitar que estão presos, num mundo à beira do colapso, segundo a editora. Marion Winik e Charley Burlock, na Oprah Daily, escreveram não saber se já leram um laço entre pai e filha descrito com mais ternura e precisão. A Electric Literature registra que Stephens deu destaque, no artigo do New York Times, ao fato de Maksik ser branco, homem e heterossexual. Fonte

Kenan Orhan, The Renovation

Farrar, Straus and Giroux.

Primeiro romance de Orhan, conta a história de Dilara, que deixou Istambul e vive em Salerno, na Itália, cuidando do pai idoso e do marido hipocondríaco; obcecada pela reforma de um segundo banheiro, ao entrar nele pronto ela se descobre numa cela de prisão turca, segundo a descrição da editora. A editora apresenta o livro como uma tragicomédia do deslocamento, sobre exílio, luto, memória e migração. A Kirkus Reviews, citada pela Electric Literature, o chamou de “livro pequeno, estranho e elegante” e elogiou o jogo de palavras e a investigação sobre o que significa terra natal. O romance também integrou a longlist do Booker Prize de 2026. Fonte

Morgan Thomas, Mad Eden

MCD, 2026.

Ro e Liam vivem numa cabana isolada na Flórida; Ro, que acaba de receber um diagnóstico de autismo, trabalha orientando pacientes que buscam atendimento de afirmação de gênero, num clima político descrito pela editora como hostil. A paz do casal se desfaz com a visita de Quentin, adolescente de quem os dois são quase pais, com a obsessão de Ro por Mad Eden, folhetim on-line de fantasia sobre cavaleiros de dragões, e com uma videochamada de trabalho que tem consequências graves. A editora diz que o romance de estreia explora a relação entre autismo e tempo na própria forma da narrativa. D/Annie Liontas, na Electric Literature, escreveu que o livro é “quase impossível de classificar”. Fonte