Cânones da crítica internacional UFES · Departamento de Letras · T01 · 2026/2

00Edição zero · agosto a dezembro de 2026

Prêmios · Japão

Prêmio Akutagawa 2026 (175ª edição)

A 175ª edição do Akutagawa, referente ao primeiro semestre de 2026, foi para Chito Kosagawa por Zonbi kaishūfu, na terceira vez em que ela concorria. Eram cinco candidatos, todos com textos publicados em revistas literárias.

Candidatos anunciados em 10/06 · vencedora anunciada em 15/07 · lista oficial

O Prêmio Akutagawa Ryūnosuke é concedido duas vezes por ano pela Nihon Bungaku Shinkōkai (Sociedade para a Promoção da Literatura Japonesa), sempre junto com o Prêmio Naoki; o vencedor recebe um relógio e 1 milhão de ienes. A 175ª edição cobriu o primeiro semestre de 2026, e o comitê de seleção se reuniu em Tóquio em 15 de julho; no mesmo dia, o Naoki foi para Kasumi Asakura. Os cinco candidatos concorreram com textos saídos nas grandes revistas literárias do país (Gunzō, Bungakukai, Shinchō e Bungei). A lista juntou duas autoras na terceira indicação, Kosagawa e Suzumi Suzuki, a uma estreante premiada pela revista Bungakukai no mesmo ano e a dois autores com trajetória ligada ao exterior: um tradutor formado em Oxford e uma romancista traduzida em 26 países e regiões.

Finalistas

Chito Kosagawa, Zonbi kaishūfu (ゾンビ回収婦)

Gunzō, maio de 2026; em livro pela Kodansha.

[Vencedor]

A narradora é a única faxineira de um hotel e recolhe os corpos de zumbis abatidos para manter o mundo limpo; num mundo tomado pela inteligência artificial, que ela chama de “eles”, perdeu o emprego junto com o marido e vê surgir outra realidade. Segundo a apresentação da editora, depois de trinta e poucos anos sendo “boa menina”, ela cumpre seu papel com afinco, sem agradecimento nem elogio. Kosagawa, nascida em 1990, formada em letras pela Universidade Keiō e com pós-graduação em psicologia, estreou em 2022 com o prêmio de novos autores da Gunzō e já tinha sido candidata ao Akutagawa na 167ª e na 170ª edições. O texto premiado recorre a materiais de gênero, zumbis e IA, para falar de trabalho não reconhecido. Fonte

Suzumi Suzuki, Warui chi (悪い血)

Bungakukai, junho de 2026; em livro pela Bungeishunjū.

Uma mulher que viveu com liberdade recebe uma notícia que abala o próprio corpo e vai ao hospital, de sandálias com pedrarias, recuperar o sangue que lhe tiraram; no caminho, voltam as lembranças do que fez no passado. A apresentação da editora cita a frase da narradora sobre ter evitado escolher por medo de que cada escolha punisse o passado. Suzuki, nascida em 1983, trabalhou no jornal Nikkei de 2009 a 2014 e publicou em 2013 um estudo sociológico sobre atrizes de vídeo adulto, a que se seguiram vários livros de ensaio. Foi sua terceira indicação ao Akutagawa. Fonte

Ren Nishina, Magokoro (丹心)

Shinchō, abril de 2026; em livro pela Shinchōsha.

Ren, assistente de um arquiteto, se empenha em desalojar moradores para realizar o sonho do mestre, um museu de arte; os desejos de Q, filha de um capitalista, e do povo que comprou o edifício inacabado se cruzam, e a apresentação da editora pergunta se há “sinceridade” possível na China continental, “cheia de contradições”. Nishina, nascido em 1994, estudou em Oxford, faz pós-graduação na Universidade de Tóquio e traduziu para o inglês um livro do filósofo Kōichirō Kokubun sobre Deleuze, publicado pela Edinburgh University Press em 2020. Estreou em 2024 com o prêmio de novos autores da Shinchō. Fonte

Yū Murashi, Soritia ojisan ga ita koro (ソリティアおじさんがいた頃)

Bungakukai, maio de 2026; em livro pela Bungeishunjū.

A narradora trabalha numa fábrica de missô em Quioto e, numa manhã de inverno, ouve que morreu o colega que ela chamava em segredo de “tio Paciência”; depois do velório, decide resolver o namoro que se arrasta e o trabalho sem perspectiva. A editora destaca o dialeto de Quioto, leve, na voz interior da protagonista, e a ideia de que pequenas mudanças no cotidiano alteram o rumo de uma vida. Murashi, nascido em 1979 e formado pela Universidade de Kyūshū, estreou com este mesmo texto, que ganhou o 131º prêmio de novos autores da Bungakukai em 2026. Foi o único candidato indicado com o próprio texto de estreia. Fonte

Emi Yagi, Anchi gūdo mōningu (アンチ・グッドモーニング)

Bungei, edição de primavera de 2026; em livro pela Kawade Shobō Shinsha.

Perseguida pelas notificações do chat do trabalho, a narradora perdeu a si mesma; entre uma empresa que impõe o bem-estar, um marido que recomenda a vida cuidadosa e um suspeito instrutor de e-learning, ela corre atrás do sono e entra num mundo estranho. A editora vende o livro como aventura sobre a insônia, “rebelde contra a sociedade da positividade”. Yagi, nascida em 1988, ganhou o Prêmio Dazai Osamu em 2020 com Kūshin techō, que, segundo a nota da Bungeishunjū, está sendo traduzido em 26 países e regiões e saiu em inglês como Diary of a Void, resenhado pelo New York Times e pela New Yorker. É o caso mais claro da lista de autora com reconhecimento estrangeiro anterior à indicação nacional. Fonte