Prêmios · Reino Unido
Booker Prize 2026
O prêmio britânico para o melhor romance em inglês publicado no Reino Unido ou na Irlanda está na reta final, com seis livros na shortlist. O vencedor será anunciado em 9 de novembro.
Shortlist anunciada em 22/09 · vencedor em 09/11 · lista oficial
O Booker paga 50 mil libras ao melhor romance escrito em inglês e publicado no Reino Unido ou na Irlanda; em 2026 concorreram livros lançados entre 1º de outubro de 2025 e 30 de setembro de 2026. O júri é presidido pela historiadora Mary Beard e reúne Raymond Antrobus, Jarvis Cocker, Patricia Lockwood e Rebecca Liu, que leram 163 romances, segundo Beard, antes de chegar a uma longlist de 13 títulos em julho e à shortlist de seis em setembro. A lista final traz dois ex-vencedores (Marlon James e Douglas Stuart), a ganhadora do Pulitzer Elizabeth Strout e uma estreante, Rebecca Perry. O Guardian contou quatro homens entre os seis finalistas e três livros dedicados à masculinidade e à sexualidade masculina; Cocker disse ter estranhado a predominância masculina, e a ausência de Switzy, de Emma Cline, apontado como favorito, foi registrada como a grande surpresa do anúncio. Segundo a revista Exame, nenhum dos seis tinha edição brasileira no início de outubro.
Finalistas
M. John Harrison, The End of Everything
Serpent’s Tail, 2026.
Romance pós-apocalíptico passado numa cidade costeira sem nome do condado de Kent, anos depois de uma catástrofe cuja natureza nunca fica clara. O Guardian apresenta Harrison como um destacado autor britânico de ficção especulativa e lembra que ele foi jurado do próprio Booker em 2022. Michel Faber, resenhista do jornal, escreveu que o livro, como o título sugere, “é sobre tudo” e expõe “a insegurança aterradora da vida neste momento”. Para quem estuda o cânone, interessa ver um ex-jurado do prêmio passar para o lado dos concorrentes com um romance de gênero. Fonte
Marlon James, The Disappearers
Hamish Hamilton, 2026.
Vencedor do Booker em 2015 com A Brief History of Seven Killings, o jamaicano James volta à shortlist com um romance ambientado na Jamaica dos anos da aids. O enredo parte de um ataque contra um grupo de homens gays que ensaiava Fortune and Men’s Eyes, peça de John Herbert passada numa prisão. Com 640 páginas, é o livro mais longo da lista. O Guardian o inclui entre os três títulos da shortlist que tratam de masculinidade e sexualidade masculina, tema que levou a jurada Patricia Lockwood a brincar que “todos esses livros são gays”. Fonte
Luke Kennard, Black Bag
John Murray, 2026.
Romance cômico de campus: um ator sem trabalho aceita assistir às aulas de um departamento universitário de psicologia fechado dentro de um saco de couro preto, como parte de um experimento. Mary Beard, presidente do júri, lembra no Guardian que a premissa vem de um experimento real dos anos 1960, que pretendia observar como os estudantes reagiriam ao “homem do saco”. Para ela, o humor surreal do livro levanta questões sobre identidade, ambição e fragilidade humana. Beard conta que o romance a fez rir alto mesmo numa segunda leitura. Fonte
Rebecca Perry, May We Feed the King
Granta, 2026.
Único romance de estreia da shortlist, o livro venceu neste ano o prêmio de estreia da rede de livrarias Waterstones. A protagonista é uma curadora encarregada de montar os cômodos de casas históricas, que fica cada vez mais obcecada pela vida de um rei medieval. Na lista de 2026, Perry faz o contraponto aos dois ex-vencedores: uma autora que chega à final do Booker no mesmo ano em que ganhou um prêmio de primeiro romance. Fonte
Elizabeth Strout, The Things We Never Say
Viking, 2026.
Vencedora do Pulitzer de 2009 com Olive Kitteridge, Strout esteve na longlist do Booker em 2016 e na shortlist em 2022. Neste romance ela deixa de lado o elenco recorrente de seus livros anteriores e cria Artie Dam, professor de história cuja vida confortável no litoral de Massachusetts é ameaçada por um segredo e pelas mudanças dos Estados Unidos. Sua presença mostra a regra do prêmio em funcionamento: contam a língua do romance e o lugar de publicação, qualquer que seja a nacionalidade de quem escreve. Fonte
Douglas Stuart, John of John
Picador, 2026.
Stuart venceu o Booker em 2020 com Shuggie Bain e volta à final com a história do retorno de John-Calum Macleod às Hébridas Exteriores, na Escócia. Na resenha do Guardian, Yagnishsing Dawoor leu o livro como uma “exploração ardente das meias-vidas de homens gays condenados a amar, ansiar e sofrer em silêncio”. Ao lado dos romances de James e Kennard, forma o trio que o jornal identificou como centrado em masculinidade e sexualidade masculina. Fonte