Nota de sala · 18 de agosto de 2026
A disrupção não é um gesto crítico
Minicurso da Jornada Narrativas em tempos de crise (LETHIS/UFES). Auditório 1 do CCHN. A optativa saiu da sala disciplinar para conversar com a História.
O convite veio do Departamento de História; o financiamento, do CNPq. Letras e História no mesmo palco. Cerca de uma hora e quarenta de sessão. A turma da optativa — cânones, crítica, valor — teve de se haver com outro ofício de prova: o do historiador.
Disrupção e inteligência artificial entraram como divisor, não como tema da moda. O volume de páginas deixou de bastar como prova acadêmica no momento em que um modelo generativo produz trinta laudas num espirro. A pergunta deslocou-se: o que ainda conta como evidência, como autoria, como legitimidade. Recusou-se o falso dilema “a favor ou contra a IA”. A questão era onde essa técnica entra na universidade com critério.
Pensar o cânone exige pensar o contemporâneo, porque as coisas valem no tempo em que se vive. Disrupção virou operador a investigar, não jargão a decorar. Houve a diferença entre “ter uma história” e reconhecer-se sujeito histórico. A crítica, nessa manhã, foi treino de percepção: a vida chega amalgamada; a obra já chega sintetizada; o ofício acadêmico constrói categorias que transformam dado em corpus.
Rita Felski apareceu no fechamento: só se suspeita daquilo que se valoriza. O brilho de se posicionar como “antissistêmico” também é operação a examinar. A disrupção permanece objeto histórico e cultural — não deve ser tratada como se fosse, ela mesma, um gesto crítico.
O percurso regular de casos literários da optativa começaria na terça seguinte. Homero e Auerbach ficaram para 01/09. Sontag, para outro encontro. Todas as notas de sala →